terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Saudade que faz cócegas.

— Me dá um abraço? — A voz dele suplicava através do telefone.

— Claro… Venha aqui.

— Posso?

— Sempre vai poder.

— Seu abraço é gostoso.

— Você nem deve se lembrar mais como é.

— Eu lembro, sim. Eu ia te ver depois do seu treino só pra ganhar um abraço seu.

— Eu lembro disso também. — Sorri. Era bom ver que lembrar dos nossos momentos era uma coisa boa agora, não doía mais… Era uma saudade que fazia cócegas.

— Ê, tempinho bom…

— Nem fale…

— Tô falando sério.

— Eu também.

— Pensei que era sarcasmo.

— Pensou errado…

— Eu descia na sua escola só pra te ver… — Repetiu.

— Eu lembro. Aí você me abraçava bem forte e demorava pra soltar.

— É, eu até te levantava.

— E girava. Era bom.

— Como era…. Hunf.

— Hunf.

(Silêncio)

— Ei, tô com sono. Vou dormir… Boa noite.

— Boa noite.

A chamada foi encerrada e eu sorri. Era bom ver que, mesmo com tantas meninas passando pela vida dele, ele sempre se lembraria de mim. E sempre sentiria saudade, assim como eu. E saber que nós não demos certo porque não fomos feitos para ficarmos juntos, mas não nos distanciarmos mesmo assim. Porque nós nos amamos. Essa é a verdade. E era divertido observar o modo como ele evitava falar das meninas, ouvir a mesma resposta de sempre: “ela era muito sem graça”. E em seguida, me perguntava “você gosta dele?”, com medo de perder o lugar no meu coração, sem saber que isso nunca vai acontecer.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

É mais que amor

Acho que descobri o que não me deixa ir embora e me prende a você. É o teu sorriso, teu olhar, tua voz, teu jeito manso de falar (…) e o fato de que eu nunca vou poder me entregar para você. Mesmo sabendo que um lado teu sempre vai ser meu, você não aceita isso. Não aceita porque você não quer amar, porque você acha que o amor é idiotice, porque tem medo de se machucar… E, se quer saber de uma coisa, eu concordo contigo. Eu também nunca vou aceitar que sou sua, meu anjo. Vou sempre fingir que meu amor não passa de desejo, assim como você. E amar agora é pura idiotice, sim. O único problema é que eu não te amo… Não é amor, é bem mais que isso. Porque eu gosto de você, mas não sou egoísta. Eu aceito que você nunca fica só ao meu lado, eu aceito a sua necessidade de ser livre, de conquistar outras mulheres, porque eu sei que você nasceu assim, e para isso não tem remédio. E aceito também porque por mais que você vá embora de vez em quando, sei que você sempre volta, porque você é meu. É meu e sempre vai ser. E, sabendo disso, você aceita que eu me “apaixone” por outras pessoas enquanto você não está ao meu lado, porque você também sabe que nenhuma outra pessoa sabe fazer o bem que você me faz, porque você sabe que eu não posso ficar sozinha enquanto você faz companhia a outras pessoas. E mesmo com essas constantes distâncias, o destino sempre dá um jeito de nos unir novamente, porque é assim que devemos ficar: juntos, para sempre.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

30 segundos

— Você ainda gosta dele? — Perguntaram-me.
Pensei em dizer não, mas eu não conseguia. Até porque eu sou boba o suficiente para pensar que havia a possibilidade de que ele não tenha desistido de mim ainda e ficar sabendo desse “não” e acabar desistindo de vez. Paranoia minha, eu sei, porque ele não se importa, mas eu me importo e é por isso que essas coisas sempre invadem a minha cabeça. Também não poderia falar sim, porque não mudaria nada se eu dissesse. E seria ridículo se eu dissesse talvez. Não existe meio termo pra essas coisas. Não existe meio termo pra nada.
Desliguei o telefone.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Não consigo desistir da gente.

Não consigo ir embora. Não consigo parar de esperar. E eu te odeio por isso. Odeio você por me tratar super mal e ainda assim dar um jeito de fazer com que pareça que nada disso é sua culpa. Odeio você porque a gente só não deu certo porque você não quis. Por que você não quis? Eu só queria você ao meu lado… Nunca pedi demais. Eu tenho tanta coisa para dizer, mas você não quer me ouvir. Dói pensar que você ainda se importa, mesmo que seja só um pouquinho, porque não é o suficiente. Eu amo você e não é o suficiente porque você não deixa ser. Isso anda me tirando o sono, sabia? Ah… É claro que você não sabe. Você não quer mais saber de mim. E mesmo com todas essas lágrimas deslizando sobre o meu rosto inúmeras vezes, eu não consigo esquecer os sorrisos que você me causou. Não sou forte o suficiente para suportar essa dor sorrindo, porque ela é a maior de todas as dores que já enfrentei. Não tem mais você aqui, e eu não consigo aceitar que pode permanecer assim. É tão divertido assim me ver sofrer? O que eu faço com esse buraco que você deixou aqui dentro, além de tentar escondê-lo? Não sei, não sei, não sei de nada quando o assunto é você. Só me restam incertezas e lembranças. E se você não se importa mesmo comigo me deixa ir embora logo. Eu só… Eu só não queria desistir de você. É por isso que eu tô aqui parada, chorando, sofrendo, sozinha. Porque eu sou burra o suficiente para pensar que você ainda vale a pena. Porque eu te amo o suficiente para não conseguir desistir da gente. Sou burra por te amar. E você é burro por não aceitar o meu amor. Sabe disso, e continua recusando porque, repetindo, você é burro. Você é burro e eu te amo. E eu não entendo como você me machuca tanto e, mesmo assim, eu só consigo te amar mais ainda. Sou burra mesmo, confesso. Mas eu sou a burra que você um dia amou. Que sabe que provavelmente não ama mais. E que não sabe lidar com isso. É. Definitivamente, eu não sei lidar com isso. Por que você faz doer tanto? O pior é saber que você sabe que tá doendo. Sabe e só faz doer mais, se é que essa dor não chegou ao limite. Você vivia dizendo que eu era pequenininha, e agora eu tô menor ainda. A dor me fez diminuir. Claro, o certo seria me fazer crescer, mas não tem nada de certo entre a gente. Então, continuando, tô mais pequeninha porque tô sofrendo. Todo mundo que olha no fundo dos meus olhos vê o quão frágil eu estou. E diz que você é um idiota como se eu não soubesse disso; como se eu não fosse uma idiota também. Você se magoava porque eu não queria me entregar. Aí eu me entreguei e você me magoou, porque foi embora. E eu só não tinha me entregado antes porque eu sabia que, assim que eu o fizesse, você iria embora. E eu nunca quis que você fosse embora. E eu tô aqui, esperando você, igual uma idiota, sabendo que não vale a pena. Mas eu te amo. Quantas vezes disse isso? Ouvi dizer que você me deixou porque eu não dizia com tanta frequência. Mas é nesse texto que eu estou desabando, então, por favor, lê ele desde o começo e vê o quanto eu te amo. E vê que eu nunca precisei dizer que eu te amo para te amar. E vê que eu continuo te amando. E me ama de volta. E volta. Por favor, volta.