quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Final infeliz.

— Alô?

— Oi… Olha, eu sei que é estranho ver o meu nome no visor do seu celular, especialmente depois do dia em que eu te disse pra não me procurar nunca mais. Por favor, não fala nada até eu terminar, porque senão eu não vou conseguir. Fiquei sabendo que você tá de casamento marcado. Quem diria, hein? Eu pensei que fosse demorar um pouco mais pra você chamar outra menina de noiva. Eu sei que já faz quase um ano que tudo aconteceu, mas ah, você sabe, né. Enfim, eu desejo que você seja feliz, de verdade, e espero que ela também goste de club social e que isso nunca falte na casa que você dividirá com ela, exatamente como a gente tinha combinado quando era eu no lugar dela, você lembra? Vou te dar uma dica: se você não souber o que dizer quando ela não estiver bem, apenas a abrace. É que o seu abraço dispensa palavras, funciona como uma anestesia sem a picada. Ai, droga. Eu prometi que não ia chorar, porque a minha voz fica ainda mais estranha e principalmente para que tudo isso não ficasse ainda mais patético, mas você sabe que eu não consigo segurar o choro por mais de cinco segundos. Eu queria que você soubesse que eu não te culpo. Eu sei que você não se importa, mas eu queria te deixar saber mesmo assim que eu sei que não foi por sua culpa que a gente não deu certo. Eu também sei que ter me feito de boba foi totalmente desnecessário e que isso, sim, é culpa sua, mas as pessoas cometem erros, e eu acredito que o meu pior foi ter deixado o sentimento que você tinha por mim se desvanecer, já que eu não soube e ainda não sei lidar com as consequências que isso causou. Eu te amei demais e ainda amo, mas o problema é que há um ano eu não sabia amar, e não posso de jeito nenhum te culpar por esperar que eu soubesse até porque você merecia uma menina que saiba, assim como a sua noiva. Talvez eu conseguisse te amar do jeito certo agora, mas já é tarde demais; eu sei, você sabe, todo mundo sabe.

— Ei, eu sinto muito, mas eu a am… — Ela o interrompeu, porque apesar de ter plena consciência de que o que ele pretendia dizer era verdade, não aguentaria ouvir isso da boca dele.

— Não, eu sei. A nossa história acabou há muito tempo e não foi com um final feliz. Eu sei.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O que aconteceu?

Eu sei que já faz muito tempo, mas eu ainda me lembro claramente de cada palavra que você disse. Eu me lembro de quando eu disse que te amava e você me perguntou se podia acreditar nisso, o que soa irônico agora já que, pelo visto, quem não deveria ter acreditado era eu. E eu me lembro também de que você abria mão de jogar futebol para poder passar mais tempo comigo - o que você dizia ser um bom sinal - mesmo sem eu nunca ter ido ver você jogar até então e me pergunto há meses o que aconteceu sem nunca ter encontrado a resposta. O que aconteceu com o que fazia você abrir mão do futebol só para ficar comigo? O que aconteceu com a menina que nem sequer ia te ver jogar? O que aconteceu com aquela felicidade que eu só sentia quando estava com você? O que aconteceu que te deixou confuso? O que aconteceu que fez você querer ir embora? Eu acho que tudo iria bem se um de nós não tivesse mudado. Digo, se eu não tivesse passado a me importar ou se você não tivesse feito o contrário, voluntariamente ou não. Você não sabe, mas você foi a melhor e pior coisa que me aconteceu. Parece que isso nunca vai acabar... Eu sei que vai, mas é que eu sinto que não importa quanto tempo passe, eu vou lamentar o fato da gente não ter dado certo sempre que eu te olhar ou lembrar de você e choramingar por dentro por você não fazer o mesmo.