segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eu sou uma parede.

Mirei a parede. Ela tinha algumas rachaduras quase imperceptíveis que só quem prestasse muita atenção nela notaria sua existência, o que me fez perceber que eu parecia estar falando de mim e das “rachaduras” do meu coração e não da parede. Assim como eu, tinha algumas marcas que não saiam com produto nenhum e a única solução seria passar tinta por cima, mas a cor ficaria meio diferente e não adiantaria muita coisa a não ser que eu pintasse a parede toda, mas isso causaria uma bagunça enorme e começar tudo de novo nunca foi uma tarefa simples para mim. Ela tinha uma metade branca e a outra cinza. Era uma tonalidade bem clara de cinza, tanto que ele quase se camuflava com o branco e essa é outra coisa em comum entre eu e a parede. Na maioria das vezes é a minha parte branca que se sobressai, ou seja, é quando estou feliz e sorridente e em paz e transparente. Mas quando é a cinza que toma conta de mim, eu me sinto apagada e quero me isolar do mundo. Essa minha parte cinza, assim como a da parede, também quase se camufla com a branca e quase ninguém a nota e me tratam como se eu estivesse toda branca quando eu não tenho estrutura pra isso. Espera aí, estou falando de mim ou da parede? Ah, se for pensar bem, não faz muita diferença. Observando todas essas coisas e descobrindo todas essas semelhanças, cheguei à conclusão de que eu sou uma parede. Eu sou repleta de rachaduras e marcas. Eu sou metade branca, metade cinza. Eu sou uma parede.

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