— Me dá um abraço? — A voz dele suplicava através do telefone.
— Claro… Venha aqui.
— Posso?
— Sempre vai poder.
— Seu abraço é gostoso.
— Você nem deve se lembrar mais como é.
— Eu lembro, sim. Eu ia te ver depois do seu treino só pra ganhar um abraço seu.
— Eu lembro disso também. — Sorri. Era bom ver que lembrar dos nossos momentos era uma coisa boa agora, não doía mais… Era uma saudade que fazia cócegas.
— Ê, tempinho bom…
— Nem fale…
— Tô falando sério.
— Eu também.
— Pensei que era sarcasmo.
— Pensou errado…
— Eu descia na sua escola só pra te ver… — Repetiu.
— Eu lembro. Aí você me abraçava bem forte e demorava pra soltar.
— É, eu até te levantava.
— E girava. Era bom.
— Como era…. Hunf.
— Hunf.
(Silêncio)
— Ei, tô com sono. Vou dormir… Boa noite.
— Boa noite.
A chamada foi encerrada e eu sorri. Era bom ver que, mesmo com tantas meninas passando pela vida dele, ele sempre se lembraria de mim. E sempre sentiria saudade, assim como eu. E saber que nós não demos certo porque não fomos feitos para ficarmos juntos, mas não nos distanciarmos mesmo assim. Porque nós nos amamos. Essa é a verdade. E era divertido observar o modo como ele evitava falar das meninas, ouvir a mesma resposta de sempre: “ela era muito sem graça”. E em seguida, me perguntava “você gosta dele?”, com medo de perder o lugar no meu coração, sem saber que isso nunca vai acontecer.
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